domingo, 13 de fevereiro de 2011

AMIR....O Árabe de Copacabana!

Sábado à noite bateu aquela famosa dúvida sobre onde ir jantar, e que  estivesse fora do cansativo e custoso circo da nouvelle cuisine, ou dos ristorantes italianos que tanto se espalharam pela cidade inteira.
Foi assim que esfreguei minha lâmpada mágica, e Aladim, o gênio, me soprou no ouvido: - Vai no Amir!
A princípio fiquei meio relutante com a sugestão, porém, acabei seduzido pela idéia de conhecer um pouco mais da culinária árabe, da qual não sou especialista, já que meu contato com ela, confesso, foi sempre muito limitado.
Lembro-me vagamente de um jantar que me foi oferecido por um amigo da área de hotelaria, que vivia em Beirute, a muitos anos atrás, num luxuoso restaurante da cidade, onde todos os garçons estavam trajados com roupas típicas, as mesas eram cobertas com lindas toalhas, e ainda tinha toda a edumentária arábica que servia para encantar os olhos dos clientes antes do início da refeição.
Logicamente que a proposta do Amir não é ser luxuoso, como seu colega do Líbano, porém, de poder atender bem aos clientes que frequentam esta tradicional casa na praça do Lido, que, aliás, estava bem movimentada nesta noite.
Decisão tomada, preparei meu camelo prateado e o fui guiando até Copacabana, porém, para estacionar foi bem complicado, em função do aglomerado de vendedores que formam a feirinha na praça do Lido.
Ao chegarmos fomos recepcionados pela gerente e o maître, ambos muito gentis, que nos conduziram ao segundo andar onde está a varanda, sendo nos oferecido uma mesa de 6 lugares, bem agradável.
Realmente, ter sentado neste lugar tão espaçoso foi algo que facilitou nossa vida, já que como manda a tradição árabe, a comida chegava aos turbilhões, ao ponto de pedirmos um "tempinho", para podermos entender tudo o que estava acontencendo.
O garçon, muito atencioso, um "árabe" cearense do Canindé, conhecia tudo sobre este tipo de comida e ia dando nome aos pratos numa velocidade incrível, muito embora eu não os conseguisse memorizá-los.
Assim, para ilustar esta sequência gastronômica, pedimos aos colegas que nos escrevessem tudo o que nos estava sendo servido, e é com este "papiro" que estou escrevendo a presente crônica.
Antes do início do serviço, olhei para  lado direito da minha mesa, e me deparei com o grande deserto de areia da praia de Copacabana, e, sem sentir, me transportei para o cenário hollywoodiano do filme O Sheik de Agadir (risos).
Assim, dei asas à minha imaginação, e me imaginei sob um toldo, onde comia tâmaras, mel, esfihas, cordeiros assados, etc, ao som da frenética música da dança do ventre.
Despertei deste meu encantamento quando começaram a chegar nossos pedidos.
Inicialmente nos serviram uma Salada Fatouche, composta de alface, tomate, pepino, rabanete, melaço de Romã e tempero de Summac, que é um pó vermelho e ácido, extraído das frutas da planta sumagre, um arbusto que cresce nas colinas do Líbano, além de um Taboule, entrada que é preparada com bastante salsinha.
Ao mesmo tempo nos foram servidas  três tipos de pastas, o Homus, feito com grão de bico, o Babagnouch, à base de beringela e uma Coalhada Seca, que estava simplesmente divina, juntamente com uma cesta de pão árabe.
Se me perguntassem o que poderia ser feito para melhorar algo neste serviço, eu diria, no mesmo instante, a sua apresentação, pois, algo tão saboroso, merecia ser levado à mesa em  tigelinhas bonitas, cada uma com sua colherzinha, a fim de facilitar os clientes a provarem das mesmas.
A continuação do serviço foi feita com Esfihas Folheadas de Queijo e de Carne, as mistas, e ainda as Burrecas de Queijo, assim como o Falafel, tudo quentinho e no ponto certo de fritura.
Depois foi a vez da Kafta, que é um espetinho de carne moída temperada, acompanhada com arroz de lentilha e cebola frita, do qual eu não consegui apreciar muito, dado ao fato de que não sou um grande admirador de pratos muito aromatizados, e este,  leva na sua composição, entre tantos  outros condimentos, um tempero onde se utilizam 7 pimentas árabes.
Agora foi a vez das folhas de videira recheadas com carne, as quais degustamos enquanto não chegava o prato-forte, logicamente, o cordeiro, que não pode faltar num menu árabe.
O Shawarma são tiras de cordeiro, servidas com o molho de próprio assado e acompanhadas de arroz marroquino com lascas de cordeiro, amêndoas, carne moída, canela e um pouco de azeite.
Outra coisa que não pode faltar num ágape de culinária árabe são os doces, e, dentre muitas opções, escolhemos a Belewa, uma massa folheada com recheio de nozes e servida com um pouco de mel de rosas por cima.
Assim, concluímos que o AMIR, é uma extensão árabe nos padrões cariocas, onde o cliente entra, desfruta de várias combinações gustativas, sem se preocupar com edumentárias especiais para poder ir ali.
Havia jovens com sandálias hawaianas, outros vestidos de forma mais formal, pessoas de mais idade,outros sentados na mesas postas na calçada, como se estivessem num barzinho, porém, independemente de qualquer critério, muito bem atentidos dentro da proposta do Árabe de Copacabana.
Quando estávamos saindo, tivemos o prazer de poder falar com o Nicolas Habre, proprietário do restaurante, que a todo momento repetia: - Sejam bem-vindos!
Nosso agradecimento, diante de tanta gentileza, só poderia ser respondido da mesma forma e com a mesma intensidade:
- Seja bem-vindo também !
Jacques .'.

4 comentários:

Diego Martin disse...

Também n sou um grande apreciador da cozinha árabe, mas pelo visto, o Amir pode ser considerado um típico restaurante temático sem a pretensão de entar no 'tema' para passar um estilo despojado e atrair um maior numero de frequentadores além do público tradicional árabe.
Pelo menos essa foi minha 1a impressao através da sua descrição...

Taí um local que frequentaria numa boa e de havaianas ! haha

Jacques Graicer disse...

Olá Diego,
Obrigado pelas suas palavras de incentivo, tanto nos comentário sobre o AMIR, como no do passeio pela baía de Guanabara.
Fico feliz de que você tenha gostado, até porque um elogio que parte de um jornalista é visto por mim como uma grande salva de palmas.
Continue nos prestigiando.
Abraço,
Jacques .'.

Eliana Z. Brasil disse...

Jacques,eu sei oq vc n apreciou no kafta. O verdadeiro árabe, poe na carme moída muita banha do carneiro. E tem um gosto acentuado que de longe vai de encontro em quem gosta de pratos com sabor suave. Ou ama-se, ou detesta. Muito forte mesmo. Adorei sua descrição. Tb irei. Sem havaianas.

Jacques Graicer disse...

Lee,
Que bom que vc entendeu os meus comentários sobre o AMIR.
A proposta deles é ser um árabe mais popular.
Acho que conseguiram, pois havia muita gente curtindo o local.
Abç,
Jacques .'.