quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Restaurante Blason...Que decepson!

O restaurante Blason se encontra  na Casa de Cultura Julieta de Serpa, dentro da  maravilhosa mansão localizada na Praia do Flamengo, construída em 1920, como prova do grande amor que o Sr. Demócrito Lartigau Seabra ntria pela esposa Maria José.


Recentemente, o Chef Pierre Landry, ex-Saint Honoré, de quem sempre tive excelentes referências, assumiu a cozinha deste restaurante com a proposta de incrementar o movimento que andava meio caído, promovendo uma comida francesa do tipo alta-gastronomia.
Face a isto, sugeri aos meus amigos, com quem todos os sábados saímos para tentar desfrutar de um bom jantar, que fossemos ao Blason conferir as idéias do Chef Landry.
A casa, realmente, é algo de se tirar o chapéu, pois tem uma imponência digna dos poderosos do século passado, e contém inúmeros objetos decorativos de valor incalculável.
Como o próprio nome já diz, o dono deste local é o conhecido Prof. Carlos Alberto Serpa, que sempre esteve ligado à educação, decano da PUC, ex-diretor do Cesgranrio, e que estava presente na noite do nosso jantar e com quem tive praze de trocar algumas informações.
O salão, com suas mesas montadas, por si só já cria uma expectativa de que ali vai acontecer um grande show, pois a nobreza e imponência daquele ambiente induz nossa imaginação a crer que irão advir dali, deliciosos pratos oriundos das frigideiras e panelas do Chef Landry.

O sommelier Joãozinho, que deixou o Terzetto, também está colocado na condição de alavancador de público para o restaurante, dado ao conhecimento que tem do tema vinho & cia, e da clientela que tem condição de pagar preços elevados para desfrutar das delícias de uma cozinha especial.
"Malheuresement", a dupla dinâmica Landry e Joãozinho ainda não conseguiu fazer a casa funcionar como se esperava deles, pois a mesma estava com pouquissimos clientes, gerando uma certa tristeza no ambiente, associando-se a isto, a fisionomia dos garçons e comins que não se esforçavam, de forma alguma, para dar sequer um sorriso.
Meu amigo escolheu um vinho francês, da região de Bordeaux, que lhe fora sugerido pelo sommelier, e enquanto conversávamos, veio o couvert, a primeira grande "decepson", pois o mesmo nada mais era do que alguns pãezinhos com um pouco de manteiga e uma tigelinha de azeite, que um dos funcionários nos confessou, pamem, ser da marca Borges, que é mais utilzado para cozinhar do que para ser degustado.
Passamos lotados por esta informação para não criarmos uma energia negativa com relação ao que estaria por vir, tanto nas entradas como nos pratos principais e sobremesas, já escolhidos.
O Chef Landry, muito gentilmente, veio a nossa mesa para nos ajudar com o menu, muito embora este fosse bem reduzido na sua quantidade de opções, chegando muito perto mesmo do "ou este ou aquele" prato.
Assim, diante das poucas alternativas de escolha, acabamos nos decidindo por dois carpaccios de shiitake no azeite de trufas brancas, um folhado de aspargos ao creme de frutos do mar e uma tempura de flor de abobrinha com recheio de ricota.
Segunda "decepson"...pois todas as entradas não tinham graça alguma, sendo que os tais carpaccios de shiitake estavam sem gosto e a minha tempura de flor de abobrinha estava recheada com uma ricota rançosa e misturada com o suco de um limão siciliano que sobressaía fortemente, e cuja tempura...bem, acho que não posso chamar aquela massa gordurosa e molenga desta maneira...vamos deixar quieto!
O melhor de todos foi mesmo o tal folhado de aspargos com creme de frutos do mar, que não resisti à tentação de pedir ao meu amigo que me permitisse provar do molho.
O sommelier, inexplicavelmente, desapareceu, talvez pela triste visão do salão vazio, e a consequente perda da sua venda de vinhos.
O interessante, por falar em sommelier, é que sempre que um deles abre uma garrafa e prova do vinho, nunca emitem uma opinião negativa, por pior que seja o conteúdo, e ainda existe o famoso jargão, que foi usado nesta noite: - O vinho está redondo e equilibrado!
Ora...faltava muito para que aquilo que bebemos fosse considerado equilibrado, mas, como em terra de cego quem tem um olho é rei, somos obrigados a nos curvar diante da incontestável magestade daqueles que ostentam na lapela do paletó, o pequeno identificardor da sua profissão.
Mas seguindo com o jantar, chegou a hora da terceira "decepson", quando nos trouxeram os pratos principais, que inclusive tardaram uma eternidade para chegar, levando-se em consideração de que não havia ninguem mais no restaurante, e que nada mais eram do que dois magrets de pato com figos assados, servidos com compota de acelga e dois carres de cordeiro com um gratin de abobrinha.
O maigret que me foi servido, sinceramente, Chef Landry, era algo totalmente disforme, sem o ponto correto, e o corte do tipo "pedason" e que estava tão duro e fibroso, que me obrigou a ter que trocá-lo por um medalhão de filet mignon, molho bordalesa, que na culinária francesa se equipara ao nosso famoso feijão com arroz, bife, batata frita e ôvo.
Agora, quem pensa que o mesmo estava pelo menos gostoso, se enganou, já que a carne estava crua por dentro, e era um medalhão, e não um chateaubriand, o que é inaceitável.
As costeletas de cordeiro eram de bom tamanho, estavam macias, porém, o cheiro de "bode" ia além do que se poderia aceitar.
Desta forma, passamos para as sobremesas, que vieram a se tornar, pesarosamente, nossa quarta e última "decepson".
O pedido constava de dois petit gateau e duas tortas de figo, todos sem o menor jeito de patisserie francesa, pois estavam secos por demais, além de que a calda de chocolate do petit gateau estava quase no ponto do brigadeiro.
Assim, mais uma vez, apostamos no número 0 e deu o 36, ou seja, passamos longe de poder desfrutar de um jantar digno do poderio do amor do Sr. Demócrito pela sua esposa.
Recomento que os leitores desta minha crônica possam arriscar algumas fichas nesta roleta, pelo menos para poderem desfrutar da beleza da casa, e, se as forças do bem ajudarem, quem sabe também terão um bom jantar, que, com certeza, será fácil de barrar o que nós tivemos.
Será que usaram "Sazon" no Blason?
Jacques .'.

4 comentários:

Eliana Z. Brasil disse...

Excelente sua análise. Faltou dizer se o preço foi, digamos assim: arrojado.

Jacques Graicer disse...

Lee,
Melhor deixar este tema de lado, pois fico avexado por saber que minha carteira sangrou, num sacrifício financeiro, e que eu esperava tivesse um resultado mais feliz.
Bjs
Jacques .'.

Licio Bruno disse...

Que triste relato hein Jacques? Abracos,

L. Bruno

Cristina disse...

Que pesar ver um local tão bonito como descreve vazio. Uma vez entrei numa recém inaugurada confeitaria e o dono lá todo feliz e importante em área nobre e cara. Provei um doce, outro e não me segurei e falei pro senhor, nossa isto tá ruim! Coitado, ficou sem graça ao mesmo tempo que assegurou que era muito bom. Fato é que durou muito pouco a casa.

Anraço

Cristina
(Conheci-o no trabalho que fez no Est ESt ESt em BH e vim conhecer seu blogue.)