domingo, 23 de janeiro de 2011

O Rio de Janeiro visto pelo lado de fora... continua lindo!

Aproveitando a visita de um amigo de Aracaju, SE, resolvi dar uma de turista e acompanhá-lo num passeio de saveiro, a fim de ver o Rio de Janeiro pelo lado de fora.
Este tour é oferecido pela empresa Saveiros Tour, e sai diariamente da Marina da Glória as 9:00 horas, sendo que os ingressos podem ser comprados no escritório da empresa, ali mesmo.
O que me surpreendeu, ao entrarmos no saveiro, foi verificar que havia apenas uma guia para dois barcos, e que ela estaria viajando na outra embarcação.
Ora, é inconcebível que um grupo de 40 pessoas, entre estrangeiros e brasileiros, ficasse sem as explicações das belezas da paisagem que se descortinava a nossa frente, desde o momento em que o Pirata (nome do saveiro) zarpara do cais.
Assim, como num ato extremo de respeito aos coitados dos turistas que simplesmente foram largados ali, pedi ao comandante Ademar que me desse o microfone do barco para que eu fizesse o trabalho de guia.
Comecei verificando que o tour teria que ser descrito em Francês e Inglês, já que meu Alemão está por demais enferrujado e eu não me atreveria a usá-lo.
Desta forma, dei início ao meu trabalho de guia turístico gratuito, saudando as pessoas nos seus respectivos idiomas.
Usando de um  simples cumprimento, Good Morning Folks e um Bonjour Mes Amis, despertei a galera do seu desapontamento causado pela ausência de comunicação inicial, pois começaram a filmar e fotografar, alucinadamente, tudo aquilo que eu lhes ia explicando.
Naquele momento, ao olhar para o sorriso estampado na face das pessoas, lembrei-me dos meu tempos em que trabalhei como guia turístico, e, confesso, fiquei emocionado ao ver que, modéstia a parte, ainda continuava muito bom no que eu estava fazendo.
No início do tour, seguido pelas constantes aterrizagens e decolagens dos aviões no Aeroporto Santos Dumont, nos dirigimos para o Pão de Açúcar e o bairro da Urca, beirando o Aterro do Flamengo e a Praia de Botafogo.
Deslizando pelas águas da baía de Guanabara, dentro do Pirata, pude ter a magnífica visão deste importante cartão postal do Rio de Janeiro, que é o Pão de Açúcar, ofertado de forma graciosa pela Mãe Natureza!
Verdade que o tempo nos ajudou, pois o sol brilhava intensamente, fazendo com que a  baía de Guanabara, imunda e cheia de detritos, refletisse os seus raios como se fosse um local de águas límpidas e transparentes.
Em 1992, quando exerci o cargo de Gerente de Banquetes e Eventos do Hotel Caesar Park Ipanema durante o encontro sobre ecologia denominado ECO-92, já se falava da urgente despoluição da baía de Guanabara, porém, a inércia dos nossos governantes foi tanta que, mesmo tendo passado todos estes anos, podíamos vê-la ainda ali, boiando nas águas turvas e sem vida.
Continuamos o passeio indo em direção à Niterói, passando pela Fortaleza de Santa Cruz, navegando em águas serenas, após termos cruzado a linha  que demarca a entrada da baía, e por onde deveríamos seguir se quiséssemos navegar em direção à Copacabana.
Nosso saveiro seguiu seu roteiro passando em frente às praias de Jurujuba e Icaraí, de onde se pode ver o lindo e pomposo hotel que tem a forma de um  navio, estilo cruzeiro, seguindo depois para a Praia das Flechas, de onde desfrutamos do incrível visual da "nave espacial" do Museu de Arte Contemporânea, projetado pelo grande arquiteto Niemeyer, hoje com 103 anos e em plena atividade.
Lógico que nunca passaria despercebida a imensa ponte Rio-Niterói, com seus longos 14 km de extensão. Que obra fantástica!
Passamos bem em baixo do vão central, que tem 70 metros de altura, e em seguida, tomamos a direção do porto da Marina da Glória, que seria o ponto final do passeio.
Neste momento o sol já castigava bastante e o calor era bem forte, dentro e fora do barco, mesmo para quem estava sentado em baixo do toldo, que era o meu caso.
Assim, quando o comandante embicou a proa do Pirata para o Rio, começamos a vislumbrar o explendor do centro da cidade, onde se destacavam os cruzeiros ancorados no pier da Praça Mauá, o edifício conhecido como R.B.1 (Av. Rio Branco N° 1), a Praça XV, onde teve início a nossa cidade, destacando-se o restaurante Albamar, com sua estrutura de ferro octogonal, e sobre o qual já escrevemos neste blog.
Fomos nos aproximando lentamente do porto da Marina da Glória, dado ao intenso vai-e-vem dos iates e dos barcos que entravam e saiam deste ancoradouro.
Neste momento foi que ganhei o meu pagamento pelos serviços de guia que prestei, pois recebi diversos apertos de mãos e abraços dos turistas os quais ajudei a entender melhor das belezas naturais da nossa cidade.
Saímos dali com a "proa" do meu carro apontada para a Praça XV, a fim de podermos desfrutar, mais uma vez das delícias gastronômicas deste local.
Ao chegarmos, por sorte, já que o restaurante estava totalmente reservado, nos deram uma mesa com uma vista maravilhosa para tudo aquilo que acabáramos de contemplar durante o passeio no saveiro.
Perguntei pelo Paulo Correia, mas ele não estava, portanto, fomos recepcionados pelo Chef Adilson que mais uma vez demonstrou que não é bom somente na cozinha, mas, também, no que se refere a parte de relações públicas, com uma educação e gentileza dignas de pessoas com nobreza de espírito.
Deixamos ao seu encargo a confecção de um menu degustação onde pudéssemos desfrutar de uma sequência especial de pratos à base de peixes e frutos do mar.
Fomos informados de que ele nos estava preparando alguns pratos que estarão presentes somente no novo menu que entrará em cena no mês de fevereiro.
Não podíamos deixar de pedir, claro, uma porção dos bolinhos de bacalhau, e qual não foi a minha grata surpresa, quando vi que os mesmo estavam no formato que eu lhes havia sugerido na minha crônica anterior, inclusive, com menos sal, e incrivelmente saborosos.
Juro que eu poderia ficar ali o dia inteiro comendo daqueles bolinhos e olhando a paisagem, pois, tanto no formato, como no tempo de fritura, na textura, etc, o mesmo estava perfeito em tudo.
Logo depois chegou a entrada, que era uma linda salada composta de frutos do mar e peixes grelhados, acompanhada por um mix de folhas verdes. 
Nossa...como é fácil fazer algo bem feito e oferecer qualidade de comida mesmo com simplicidade!!
A salada estava excelentemente boa...parabéns Chef Adilson.
Ficamos na expectativa do que nos seria servido como prato principal, e, para ilustrar este momento especial, imagino que uma imagem valerá mais do que mil palavras...vejam:
Um saboroso risotto de arroz negro, com caudas de cavaquinha grelhadas e tomatinhos cereja!
Criatividade, bom gosto, quantidade sem exagero, enfim, tudo isto se chama respeito às regras básicas do bem servir.
Parabéns de novo, Chef Adilson.
Logo após, vem a sobremesa, composta por dois figos flamblés em whisky e acompanhados por um sorvete de creme, extremamente leves e incrivelmente refrescantes, e que harmonizavam perfeitamente com o que havíamos almoçado.
Pelo carinho e respeito que tenho pelo trabalho que está sendo desenvolvido no Restaurante Albamar, me permito fazer quatro comentários construtivos.
O primeiro está relacionado ao serviço, que está um pouco lento e desorientado, muito embora tivéssemos observado o profissionalismo do garçon cearense de Ipu, que demonstrou uma boa habilidade com o "alicate" no serviço à francesa que executou na mesa a nossa frente.
Mesmo que tratando-se de frutos do mar, os talheres de peixe são desaconselháveis, pois estes não foram feitos para cortar, ou seja, sugiro que usem os talheres normais para servir qualquer tipo de prato.
Existe uma regra básica em Gastronomia que deve ser seguida sempre:
Vai servir algum prato que resulte em espinhas, cascas ou ossos?
Então coloque sobre a mesa um pratinho de apoio para que as pessoas possam colocar nele aquilo que descartarem.
Os figos na sobremesa ficariam melhores se tivessem algum tipo de coloração, tipo alguma calda por cima deles após serem flambados, para que pudessem sobressair e dar vida ao prato.
Finalmente, o café expresso....este sim, falhou feio, pois veio morno e agüado...que pena!
Não devemos esquecer que grandes banquetes têm que ser bons do começo ao fim, e que o grand-finale sempre vem com o cafezinho, o digestivo e os petit-fours, portanto, qualquer falha neles, apagará o brilho de tudo que aconteceu antes.
Para aqueles que ainda não foram almoçar no Albamar, não sabem o que estão perdendo, como da mesma forma os que ainda não deram uma de gringo e foram ver o Rio de Janeiro pelo lado de fora!
Ambos são realmente imperdíveis!
Jacques .'.

8 comentários:

Eliana Zaidan disse...

Caramba que legal Jacques. Viajei junto com vcs lendo seu artigo. Sensacional. Concordo que o café é o"grand finale" de uma boa comida.
Tudo a ver.

Jacques Graicer disse...

Obrigado pelas gentis palavras.
Quem não conhece o Rio, com certeza vai querer conferir o que eu escrevi, concorda?
Abç,
Jacques .'.

Nilo Bezerra disse...

Puxa Jacques, vejo que além de um excelente profissional dos ramos da hotelaria, turismo e gastronomia, você está se revelando um exímio cronista. Assim como aconteceu com a amiga Eliana, consegui viajar com os tripulantes do Saveiro pelas exuberantes paisagens do Rio de Janeiro. Excelente texto, excelente descrição!
Obrigado por matar um pouco da saudade desta maravilhosa cidade!

Jacques Graicer disse...

Poxa, Nilo...Fico muito feliz que você, assim como outros, estejam gostando das minhas postagens.
Descobri que adoro escrever e ainda mais se consigo passar emoções através das palavras.
Espero que se inscreva como meu seguidor.
Obrigado!
Jacques .'.

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Este comentário foi removido pelo autor.
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Estimado amigo Jacques

Dedico minha primeira participação aqui em seu blog, especificamente nessa crônica, pois suas palavras me fizeram rememorar (com riqueza de detalhes) os bons momentos desfrutados durante essa volta ao Rio e Niterói através da Baía de Guanabara... Realmente uma experiência única, assim como todos os momentos vividos durante minha visita ao Rio.

Lembro nitidamente ao final do tour, os turistas franceses te saudando tanto por tê-los ‘guiado’ como também por sua habilidade, nada enferrujada, no Francês... A sua indicação pelo Albamar foi sem dúvidas a melhor escolha para enriquecer ainda mais essa experiência... simples e na medida certa !

Como jornalista, partilhamos a mesma “compulsão” por escrever, escrever bem e bastante aliás... Quando damos conta, o texto já tem laudas e mais laudas hehe sempre tenho q cortar algo pra caber nas páginas. Tem muito colega meu de profissão por aí que não tem nem metade dessa sua desenvoltura com as palavras (n eh necessário citar nomes, neh Jacques?!)

Parabéns pela página, tá mto interessante... Como diria a sabedoria popular, guiar “tá no seu sangue” vc consegue orientar até msm no quesito onde comer bem... Seu destino estava traçado para esse ramo msm, n tem como negar hehe

Sou bem suspeito para falar, mas essas fotos que você postou também tão show de bola hein !

Aquele fraterno abraço
DIEGO

Cristina disse...

Mais uma que apreciou , viajou e comeu muito bem com a leitura deste seu relato! Pensei nos meus pais que viajaram muito e como é bom quando encontram alguém que salva o passeio que seria empobrecido sem as indicações de um bom guia turístico.
Um prazer ler este texto pelo que fez. Curti especialmente o comentário sobre o bolinho de bacalhau e sua boa vontade em ajudar aqui e acolá!

Cristina

Jacques Graicer disse...

Obrigado Cristina por ler os meus comentários.
Fico feliz que você tenha apreciado o conteúdo do mesmo.
Bom saber ainda que o Est, está sendo sucesso em BH, até porque é um grande restaurante mesmo, com boa comida e serviço.
Abraços