domingo, 12 de dezembro de 2010

Albamar - A Fenix da Praça XV

Quem nunca ouviu falar do tradicionalíssimo Restaurante Albamar, que foi no passado um dos locais mais frequentados pelas personalidades que visitavam a Cidade Maravilhosa?
Sim, isto mesmo, aquele restaurante com um design lindíssimo, feito com estruturas metálicas, de formato octogonal e que fica na Praça XV.
Pois bem, este patrimônio histórico da cidade renasceu das cinzas como uma Fenix, remodelado, com novos proprietários e um bom chef, fazendo com que fossem renovadas as esperanças dos gourmets cariocas no que se refere ao retorno da culinária especial deste "velhinho" que virou "novinho em folha".
Foi com prazer que no dia 18/11, lá no MAM, vi o Albamar receber o título de melhor restaurante de frutos-do-mar do Rio de Janeiro, conquistado no 8° Prêmio Rio Show Gastronomia, patrocinado pelo jornal O Globo.
Assim, diante de tão boa notícia, resolvi convidar um amigo meu para almoçar comigo no restaurante, já que o retorno ao Albamar, no meu caso, significava viajar ao passado e relembrar momentos inesquecíveis da minha vida.
Foi ali que em outros tempos, pude deliciar-me com Camarões VG à Paulista (10 unidades num quilo), que eram servidos com estilo e elegância, guardanapos de linho e uma lavanda quentinha.
Antes da nossa visita, mantive contato com o Paulo Correa, um dos atuais sócios, que conheci no dia da premiação, e lhe pedi que me reservasse uma linda e confortável mesa.
O interessante é que no Albamar todas as mesas são lindas e confortáveis, pois a vista da baía de Guanabara, com a ponte Rio-Niterói ao fundo, os aviões aterrizando no Santos Dumont, as barcas indo e vindo de Niterói, enfim, o reflexo do sol na água, colorem todo este cenário magnífico com tintas dignas de qualquer grande pintor.
Ali chegando, entramos num pequeno elevador, que até hoje se dá ao luxo de ter uma ascensorista para abrir-lhe e fechar-lhe as portas, e que nos conduzíu até o segundo andar, onde fica o restaurante.
Nossa mesa estava bem em frente, enconstada na janela, e explendorosamente localizada dentro do novo layout do restaurante.
Meu coração, ao sentar-me, disparou acelerado pois, imediatamente, me vieram à lembrança momentos de muita alegria e prazer ao lado de pessoas com as quais não podemos estar mais lado a lado.
Mas....vamos ao que interessa, ou seja, nossa experiência no novo-velho Albamar!
Como sempre costumo fazer, consultei o maître sobre a possibilidade de escolhermos diferentes pratos para virem diretamente da cozinha à mesa dividos por dois, a fim de que pudéssemos provar de tudo um pouco, porém, com requinte.
Aceita a nossa proposta, pedimos de cara uma porção de bolinhos de bacalhau, enquanto líamos atentamente o menu.
Posteriormente, sugeri ao Paulo que atentasse para estes bolinhos, pois se fossem menos salgados e oleosos, e com um formato mais alongado, o que propicia uma melhor fritura,  estariam muito bons, já que a textura era boa e a quantidade de bacalhau estava no ponto certo.
Neste momento, ao findarmos a escolha da sequência dos pratos, decidimos eleger o vinho Muscadet Sèvre et Maine, que demorou um pouco para chegar na sua temperatura ideal, mas, depois, foi um bom coadjuvante no nosso repasto.
O primeiro prato degustado foi um "bel" Risoto de Frutos do Mar, que estava divinamente bom em todos os sentidos, ou seja, al dente, arroz de qualidade, com uma quantidade exata de mariscos e crustáceos, um molho agradável e com um refogado que não ofuscava de forma alguma o sabor deste prato, que é  oriundo da Lombardia, conforme podemos entender melhor atraves do site abaixo:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Risotto
Em seguida, pedimos um Bobó de Camarão que era algo de sensacional!
Imaginem que sou um anti-coentro de marca maior, pois a maioria das cozinhas exageram na quantidade deste na confecção dos pratos, e acabam comprometendo o gosto da comida, porém, neste prato, senti o leve toque da folhinha, e que em nada afetou o gosto da Bahia que tem que vir agregado ao Bobó, não é mesmo?
Depois foi a vez do Filet de  Cherne, com Molho de Camarão e Champignons, acompanhado de um Purê de Batata e Juliana de Trufas Negras, que poderia ter sido melhor se não o tivessem "selado" um pouco além do ponto, e se a apresentação fosse mais alegre.
Tenho por mim, ao longo de tantos anos trabalhando no ramo de gastronomia, que todos os pratos que têm acompanhamento de purê deveriam ser decorados de uma maneira tal que dessem um "elevé" na sua apresentação, mesmo que para tanto fosse necessário usar o tradicional bico de confeiteiro para poder formar um desenho no prato.
Finalmente, seguindo a sugestão do Chef Adilson, que nos concedeu uma atenção ímpar nesta viagem de sabores variados, desfrutamos de uma Pêra Confit em Vinho Sauterne, fatiada em leque, servida com uma Geléia de Sauterne num copinho, Sorvete de Creme e Amêndoas e que só era comparável à beleza do visual que nos rodeava.
Assim, com pesar, deixamos o passado requintado do interior do Restaurante Albamar e voltamos ao ano de 2010, porém, com a certeza de que existe lá na Praça XV uma máquina do tempo disponível, da qual iremos nos utilizar brevemente, e com frequência.
Ah...um detalhe...antes de embarcarem nesta aventura gastronômica, deixem seus carros estacionados bem na frente do restaurante, até porque é grátis, ok?
Jacques .'.

2 comentários:

Marcelo disse...

Perfeita descrição.
Parabéns.
Fiquei fascinado pela quantidade de detalhes.

Jacques Graicer disse...

Obrigado Marcelo!
Fico feliz que você tenha captado toda a emoção que tentei passar através da crônica.
Estamos às ordens,ok?
Jacques