domingo, 20 de março de 2011

Peru...Ceviche, Pisco, Cultura e Alta Gastronomia!

Viajei para o Peru neste mês de março com distintos objetivos.
Um deles, que muito me honrou, foi a solicitação da TACA - Linhas Aéreas do Peru, para que eu os ajudasse a desenvolver o Projeto Gourmet, que objetiva a formação de pequenos grupos de  apreciadores da boa gastronomia, e que viajariam para Lima a fim de conhecerem seus principais restaurantes, realizando ainda um city tour que incluiria a visita (imperdível) ao fabuloso Mercado Central de Lima, onde é impressionante a concentração da enorme quantidade de insumos.


Para tanto, iremos contar com a operação terrestre que estará à cargo da operadora Viajes Pacífico, e com o apoio dos restaurantes escolhidos, pois todos eles me ajudaram a escolher bons menus degustação, através daquilo que me pareceu mais apetitoso em cada um deles.

Assim, para que tenham uma idéia de como seria esta viagem, tomando-se ao Rio de Janeiro como ponto de partida, embarcaremos no vôo da TACA que sai do Galeão numa sexta-feira, por volta das 05:50 hs, voando direto à Lima, com a duração de aproximadamente 4 horas e 45 minutos, chegando na capital peruana as 09:30 horas, o que nos permitiria aproveitar todo este dia.
No aeroporto de Lima estarão os profissionais da Viajes Pacífico que nos conduzirão até o hotel escolhido, pois apresentaremos 3 opções de hospedagem, sendo que todas elas estarão localizadas no bairro de Miraflores, que é uma parte bem turística da linda cidade de Lima, e onde não chove, pasmem, há 28 anos!
Neste mesmo dia, após breve descanso, daremos início a nossa peregrinação gastronômica, e o primeiro contato com os quitutes peruanos será na famosa Cebicheria La Mar, um premiado restaurante que está sempre lotado, e que é muito frequentado pela sociedade de Lima.
http://www.lamarcebicheria.com/web/index.php
Na nossa visita neste local, tivemos que contar com a orientação dos garçons para nos sugeriram uma sequência lógica dos pedidos, já que as opções são tantas que, saber comandar com qualidade, nos permitiria desfrutar melhor das diferentes sensações gustativas desta culinária.

Iniciamos o almoço com um prato de Ceviche Misto, uma combinação de lula, polvo, peixe branco, camarão, cebola e "choclo", que é um tipo de milho de coloração amarelo bem claro e com grãos bem grandes, além da abóbora doce e "leche de tigre".


Em seguida, foi a vez da Causa Mista, um prato cuja base são batatas, e que em cima delas são colocados carne de carangueijo, camarões, atum e um tartar de salmão. Vale a pena lembrar que no Peru existe uma diversidade imensa destes tubérculos.


Conforme planejado, a sequência se deu com a chegada dos Langostinos Crocantes que são servidos empanados e fritos, sobre um purê de batata doce.


Após degustarmos estes maravilhosos pratos, resolvemos comandar um peixe que seria o carro-chefe deste nosso primeiro contato com a cozinha peruana.
O garçon que nos atendia, muito gentil e solícito, sugeriu a Corvina Salteada al Estilo Criollo, que é empanada e frita, servida com arroz, cebola salteada, tomate e batata doce.


Assim, após este prato simples, porém super saboroso e típico da gastronomia do Peru, não poderíamos deixar de escolher uma sobremesa que fosse também um ícone da tradição do país.
Nossa escolha recaiu sobre os Picarones, que são um tipo de churros, empanados com farinha da abóbora, fritos, e servidos com mel. Uma néctar dos deuses!!


Após um grato café expresso, pedimos a conta e o total referente a todo este repasto, para que 2 pessoas pudessem comer demasiadamente bem, e com a gorjeta do garçon incluída, foi de apenas S/ 180,00 o que representa R$ 110,00.
Obs: No Peru, nenhum restaurante inclue a gorjeta na conta, pois a mesma é facultativa, e depende muito de como o cliente apreciou o serviço que lhe foi prestado, o que eu acho extremamente correto pelo ponto de vista profissional.

Retornamos ao hotel para arrumarmos nossas coisas e repousarmos um pouco, já que a noite nos reservava um jantar maravilhoso no renomado restaurante La Rosa Náutica, que fica dentro do mar, como uma palafita. Vejam no link  uma linda foto do restaurante: http://www.larosanautica.com/rn_homeesp.html 

Para chegarmos ao La Rosa Náutica, percorremos um deck de madeira, todo iluminado, com diversas lojinhas, que nos conduziu até a entrada do restaurante.
Lá dentro, encontramos um ambiente de muito requinte, sendo que nossa mesa estava localizada junto à janela, por onde podíamos ver as ondas do mar que se formavam, bem alvas, e que acabavam por quebrarem nas estruturas do restaurante.


Nosso jantar teve a preciosa ajuda do maitre Juan Carlos, que, pacientemente, explicou-me por várias vezes como eram preparados os pratos que eu ia escolhendo do menu com o intuito de poder provar o máximo possível das especialidades do local.

Escolhemos um Chardonay Undurraga Reserva, que chegou na temperatura correta, e que foi uma boa opção diante do menu que acabamos escolhendo, com um atrativo aroma de frutas tropicais, bem equilibrado, e com um bom final.

Iniciamos o serviço, com uma seleção de entradas frias e quentes, onde provamos de um Polvo fatiado com azeite extra-virgem, e Choritos (vieiras) à la chalaca, que seria um molho de tomate, e porções de Chicarron de Calamar (lulas fritas) com molhor tártaro e ají, um tipo de condimento picante, apresentados de forma muito bonita, como mostra a foto abaixo.


Seguimos com uma Ensalada de la Granja, que era composta por lâminas de magret de pato curado, com cebola chinesa parrillada e caramelizada, com tomates cherry, sobre leito de alface especial orgânico.


O que se seguiu, foi uma Arroz de Mariscos, um Papillote de Corvina ao Vinho Branco e jardineira de legumes sautées, e uma Corvina en Croûte com Conchas e Camarões, num molho de Pernod, sobre purê de batatas amarelas, os quais não pudemos fotografar face ao fato de que a bateria acabou, porém, tudo de excelente qualidade.
Logicamente que não havia mais espaço para uma sobremesa, uma pena, porém, levamos dali uma grata lembrança deste belo restaurante, assim como da sua comida de primeiríssima qualidade.

No dia seguinte, logo cêdo, saímos para o city tour de Lima, passando por diferentes bairros, visitando a linda catedral, porém, com a grande expectativa da visita ao famoso Mercado Central.

O recorrido foi muito agradável, pelo ponto de vista turístico, porém, a visita ao Mercado Central é algo imperdível para quem gosta de ver insumos variados, e distintos ítens referentes à gastronomia e à culinária em especial.

Uma das coisas que mais me chamou muito a atenção, foi ver que o cordeiro, altamente explorado nos cardápios dos restaurantes peruanos, sempre é vendido com o pênis à  mostra, justamente para provar que se trata da carne do macho, pois, a da fêmea, não tem a mesma qualidade gustativa.



Outra coisa impactante é a diversidade de grãos, frutas e ervas multicolores, como se tudo ali fosse oriundo da aquarela de um pintor doidão, e ainda a enorme quantidade de diferente tipos de batatas que na foto abaixo aparecem embaladas e desidratadas, o que lhes garantem um tempo extenso de conservação.



Ao final do passeio, fomos almoçar no famoso Restaurante Rafael, o qual considerei o melhor restaurante de Lima, face ao excelente serviço e por tudo que pudemos provar da sua cozinha.

Iniciamos nosso almoço com um Tartare de Atum e Conchas (vieiras), creme de abacate, molho Kibayku e caviar de salmão, o qual estava simplesmente divino.

Em seguida, a sugestão principal do chef Rafael, que sem dúvida alguma era algo de se comer de joelhos, o Foie Gras com molho de vinho do Porto e pessego, flor de sal Maldon, batatas rostizadas e alcachofras à moda judaica.


Após nos deleitarmos com este prato, passamos ao Gnocchi com ragu de langostinos, acompanhados de legumes baby, tomate confit, uma fina fatia de presunto Patanegra, e que era outro néctar dos deuses.

Suspirando de prazer, seguimos nosso roteiro com a Lagosta grelhada com manteiga de Coral, emulsão de crustáceos, uma "cuadrata" de pasta fresca, trufas e cogumelos. Simplesmente divino!!


Ainda havíamos comandado um peixe para completar nosso menu degustação, e cabe registrar que somente lastimamos ter ido neste restaurante para almoço, pois, por esta razaõ, acabamos por não ordenar um bom vinho que certamente teria coroado a refeição com muito mais brilhantismo.

Ah, sim, sobre o peixe...um Mero grelhado, com arroz empapado, espuma de langostinos e carangueijo, servido numa emulsão de crustáceos.


Já totalmente rendidos aos sabores dos pratos que ordenáramos, ainda sucumbimos à gula da sobremesa que sem dúvida alguma, era algo de surpreendente.
Framboesas frescas, servidas com chantilly de baunilha, e sorvete da mesma fruta.
Com certeza, uma imagem vale mais do que mil palavras, então, confiram na foto:


Café, e a conta! Finalmente...já era hora!
Surpresa geral diante do valor deste almoço para duas pessoas, mesmo sem vinho!
Certamente, aqui no Brasil teria sido muito caro, porém, pasmem, o mesmo custou a bagatela de S/ 350,00 o que equivale à R$ 205,00.

Assim, felizes e satisfeitos pelo excelente almoço que tivemos no Rafael, saímos dali para caminharmos no lindo Shopping Larcomar, localizado no bairro de Miraflores, de onde se pode ter uma vista maravilhosa do mar do Pacífico, e onde estão as melhores lojas de Lima e os ainda os principais casinos.


Após passearmos pelo centro comercial do Shopping Larcomar, voltamos ao hotel para um breve repouso e nos preparar para a última visita do nosso roteiro gastronômico, agendada no famoso restaurante Astrid y Gaston, do renomado Chef Gastón Acurio.

Obs: Logicamente que no roteiro do Projeto Gourmet, no dia seguinte à noite, que seria o retorno ao Brasil, ainda teríamos mais um almoço degustação, sendo que para tal escolhi o restaurante Mercado, do Chef Rafael, que é uma espécie de cebicheria fusion. A tarde seria livre para atividades independentes, e, posteriormente, o transfer para o aeroporto. Vale dizer que o aeroporto de Lima é bem bonito, com muitas lojas, sendo uma espécie de cópia dos similares americanos.

Voltando ao tema do nosso último jantar, vale comentar o grande movimento do restaurante, com clientes do mundo inteiro, e uma equipe bem preparada para atender a todos, principalmente o sommelier que conhece tudo sobre a extensa carta de vinhos da casa, inclusive dos peruanos.
Pena que não pude papear muito tempo com ele, pois a sua atuação na linda adega, o impedia de dar-me mais atenção.

Assim, ofereceram-nos uma linda mesa bem posicionada no layout do restaurante, e logo em seguida, serviram o couvert que era composto por pães artesanais, grissinis, azeite extra-virgem, manteiga e molho chimichurri com ervas andinas.

Como cortesia da casa, logo em seguida veio uma tábua de "Abre-Bocas", muito interessante e charmoso, composto por diferentes Causas (como são chamados os pratos feitos com a base de batata).


Após todo este cerimonial, o maitre veio até a nossa mesa para tomar o pedido, e, como eu havia planejado, escolhemos diferentes pratos do cardápio a fim de compormos um menu degustação que serviria como base para o Projeto Gourmet, os quais apresentarei a seguir.

A primeira escolha recaiu sobre uma entrada de 3 tipos distintos de Ceviches, compostos por Lulas e Conchas (vieiras), Polvo e Linguado, tudo acompanhado com Ají, que como já foi dito acima, é um condimento de sabor picante e coloração forte.


Depois, foi a vez da Salada Coco Polanco (nome dado em homenagem a um amigo do Gaston), e que era composta por folhas verdes, testa de leitão e mojellas de cabrito, milho liquificado e vinagrete de maracujá, o que para mim foi uma agradável surpresa comer algo com tantas nuances de sabor.

Após a salada pedimos o Linguine com molho de mariscos e ervas peruanas, que veio al dente, quente, e com um sabor de tomate bem diferente daquele que estamos acostumados a comer no Brasil, portanto, bem interessante, valeu a escolha.


Agora chegou a vez de provar algo realmente novo, bem tentador para quem deseja ter experiências gastronômicas de verdade, e que era o prato do Cuy, o tal coelhinho da India, mas bem maior, que foi assado e veio acompanhado de gnocci, tomate cereja e um pesto de manjericão, o qual considero imperdível,  dado ao sabor suave e à excelente textura.


Desta forma, após um prato tão especial, passamos à sobremesa que não deixou nada a desejar a todo o que provamos.
Uma maçã assada, com capa de chocolate crocante e um leve toque de canela, crumble de amendoas e sorvete de baunilha, uma verdadeira maravilha que fechou com chave de ouro um jantar explêndido.

Aqui, então, termina nosso primeiro contato com a variada gastronomia peruana e com seus costumes, esperando que os colegas que aderirem ao programa do Projeto Gourmet, da TACA, tenham tantos prazeres como os que eu tive ao visitar Lima, cujas emoções tentei passar através do relato e das fotos que compõem esta postagem.

Já temos um grupo de pessoas para a viagem inaugural, que será em maio, 20/22 ou 27/29, portanto, aqueles que tiverem interesse em participar, devem entrar em contato comigo pelo e-mail jagrario@hotmail.com, e aguardar a informação do valor da parte aérea e da terrestre, já que a parte dos restaurantes ficaria a cargo do grupo compartilhar do mesmo menu ou escolher cada um aquilo que mais lhe convier.

Agradeço a todos que lerem meu blog, pela atenção e interesse dispensadas ao tema, e espero este conteúdo tenha sido de cunho ilustrativo, independentemente de se integrar ou não no programa do Projeto Gourmet.

Jacques .'.





4 comentários:

Eliana Z. Brasil disse...

Achei tudo maravilhoso. Menos o Cuy. Jamais comeria !!!
Muito bem feita sua apresentação. Parabéns.

Mirinha disse...

Quem não comer frutos do mar (mas come peixe) morreria de fome???

Jacques Graicer disse...

Oi Miriam...
Obrigado por postar um comentário no meu blog.
O que mais tem em Lima, sem serem crustáceos, é peixe....muitos tipos das águas do Pacífico, que são excelentes.
Mas tem ainda na culinária peruana, sendo que eu apenas mencionei o Cuy, tipo de coelhinho da India maior, a Alpaca, que tem na sua deliciosa carne branca, e sem gordura, uma excelente opção de gastronomia diferente da que estamos acostumados a ter.
Eles ainda exploram muito o cordeiro e o porco.
Da carne de vaca, os peruanos utilizam não mais que o Filet Mignon, meio que sem graça.
Exitem ainda vários tipos de sopas típicas, etc, razão pela qual estou tentanto com a TACA ver a possibilidade de termos uma gratuidade para levar um Chef importante do Brasil, acompanhando a primeira edição do Projeto Gourmet.
Abraços,
Jacques .'.

Nilo Bezerra disse...

Nossa! O país Peru já me encantava por suas riquezas históricas e culturais. Porém, pouco sabia de sua rica gastronomia. Depois disso só aumenta a vontade de conhecer esta parte maravilhosa da América andina.
Parabéns pelo relato, muito bem redigido e ilustrado.