quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Papai Noel e o Ballet Quebra Nozes

Nesta noite do dia 08 de dezembro, fomos ao Teatro Municipal assistir uma vez mais ao ballet O Quebra Nozes, baseado numa versão feita por Alexandre Dumas, com a linda  música de Tchaikovsky, e que sempre é apresentado no mês de dezembro, face as festividades natalinas.
Comentários prós e contras sempre existirão, porém, embuídos do espírito do Natal, vamos tentar analisar o espetáculo de uma maneira menos crítica e com olhos mais voltados para o lado positivo do evento.
A iniciativa de apresentar este ballet é sempre louvável, e ainda mais quando se tem a presença de crianças participando do coral e no ballet, já que a peça assim o exige.
Vê-las interagindo com profissionais nos faz acreditar que elas retirarão algum conteúdo positivo para o seu futuro cultural, e isto nos traz a esperança de que o Brasil vindouro não irá padecer nas mãos de funkeiros, de duplas sertanejas, e, principalmente, nos horrendos rocks barulhentos.
O Quebra Nozes, conta a história de uma menina, a Clara, que na noite de Natal ganha de presente do padrinho uma quebra-nozes em forma de boneco, e quando adormece, através de seu sonho todos os bonecos tomam vida e ela passa a vivenciar inúmeras situações fantasiosas, como uma briga entre ratos e soldados, liderados pelo então "capitão" Quebra Nozes, diferentes danças que são apresentadas em sua homenagem aludindo à outros países, assim como uma visita num local que seria como um paraíso de doces e guloseimas, ou seja, tudo aquilo que somente poderia estar contido na cabeça de uma criança.
Ao final da trama, Clara deveria acordar e perceber que teve um sonho, porém, isto somente será lembrado por aqueles que já viram várias vezes o ballet, já que na noite de hoje, ela apenas sai de cena numa espécie de "carruagem", dando-se por encerrado o espetáculo.
A coreografia teve lindos momentos, assim como fatos lamentáveis.
A menina Clara levou um grande e ruidoso tombo que assustou a todos que perceberam o ocorrido (muita gente achou que aquilo era parte da dança, com certeza).
O Francisco Timbó, excelente profissional, em determinado momento em que sustentava a bailarina no alto, tentou mantê-la com apenas uma das mãos, porém, teve que recuar subitamente já que perdeu o equilíbrio e não suportou o peso da mesma, o que poderia ter causado um  tremendo constrangimento, se ela caísse.
Mas tudo isto são coisas passíveis de ocorrer com qualquer um, e ainda mais no primeiro dia.
Imperdoável mesmo foi ouvir a discussão entre os funcionários da coxia em voz alta, na hora da troca dos cenários para a transformação do ambiente na Floresta Gelada, o que nunca poderia ocorrer numa gestão nova e que se propõe a dar modernidade e profissionalismo ao tão cansado de guerra, Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Outro fato lamentável, foi o carro simbolizando a Bombonière, por onde saíam várias meninas, crianças-bombons, suspirinhos, confeitos, todas elas lindinhas, que ficou entalado na entrada e na saída do palco, e que também permitia que um sujeito, a paisana, fosse visto por detrás do mesmo, já que  era o responsável por fazê-lo se movimentar, numa total demonstração de falta de bom planejamento.
Detalhes como estes fazem a diferença entre o sério e o jocoso.
Digno dos aplausos e das ovações que receberam, foram os bailarinos da dança russa, do Pas-de-Deux entre o Príncipe Quebra Nozes e a Fada Açucarada, assim como o casal que dançou representando a Espanha.
Os figurinos estavam bonitos, mas pareciam cansados, e acredito que estes poderiam ter tido uma apresentação mais bem elaborada (detalhes fazem a diferença).
Agora, na minha modesta opinião, o que realmente mereceu uma nota 10, com louvor, foi a regência do Maestro Javier Logioia Orbe, natural da Argentina, e com um curriculum de fazer inveja a qualquer maestro famoso, o qual confesso que desconhecia.
Ele promoveu uma linda dinâmica na orquestra, fazendo com que houvesse um contraste maravilhoso entre os fortíssimos e os pianíssimos, e conseguiu que toda a orquestra respondesse de forma brilhante aos seus apelos.
O naipe dos metais estava super bem preparado, assim como os de madeiras (sopro) e o das cordas, juntamente com o da percussão.
A doçura com a qual os metais impactavam os fortíssimos, comungava com a suavidade das cordas e com o conjunto sonoro das madeiras.
Esperávamos  muito mais desta apresentação que objetivava encerrar o ano da reinauguração do Teatro Muncipal com chave de ouro, porém, para agradar ao bom velhinho, vamos manter na lembrança apenas as lindas danças que foram apresentadas, e os tradicionais trechos melódicos que marcam este ballet.
Que em 2011, oxalá, os dirigentes do Teatro consigam verbas suficientes para nos brindar com espetáculos que sejam dignos da reforma que o mesmo sofreu, assim como também que sejam convidados artistas consagrados no mundo inteiro para que somar com os nossos grandes cantores e bailarinos.
Papai Noel.....é só este o presente que lhe peço para 2011....capricha, ok?

3 comentários:

Denilson Almeida disse...

Nossa, adorei o texto, parabéns pela criatividade. Realmente é uma pena que o ano da reinauguração do teatro municipal tenha encerrado com um espetáculo repleto de erros. Só podemos esperar que em 2011 tenhamos mais sorte de forma que o número de espetáculos no teatro municipal da cidade que é conhecida pela diversidade cultural seja bem maior que o deste ano, que foi super reduzido.

Marcelo disse...

Que as suas preces sejam atendidadas.Mais do que isso, espera-se que os responsaveis tomem conta com mais responsabilidade.Recentemente foi realizado a premiação do craque do brasileirão 2010(lugar inadequado para este tipo de comemaração,imagine a baderna)ao final da bebedeira,bagunça,parte do teto caiu.Não é isso que se espera em um teatro majestoso.Quem paga mais leva, pode fazer tudo, menos derrubar as estruturas, mas o teto pode.Afinal o dinheiro é meu, é seu, é nosso, 65 milhões não faz tanta diferença, não é mesmo

Jacques Graicer disse...

Marcelo,
Concordo contigo, amigo.
O Teatro Municipal é palco de grandes atrações e não um mero espaço para a entrega de troféu, com direito a toda a baderna digna de um Maracanã lotado.
Infelizmente, isto só vem demonstrar a maneira como a cultura e seus palcos sagrados são tratados neste país.
Uma vez teve a montagem do Turandot, na praça da apoteose, o que gerou uma série de críticas, já que ali é o templo do Carnaval.
Samba, Carnaval, Cerveja, Mulher Pelada, Violência, Turismo Sexual, etc, estes são os temas que definem nosso desafortunado país, nos dias de hoje.
Oxalá nossas preces sejam ouvidas!
Presidenta Dilma....SOCORRO!!!!